O vilarejo de Raphael Montes

O vilarejo de Raphael Montes (Editora Suma, 2015) é um livro que inspira a leitura de um fôlego só. É tão envolvente, bem escrito e bem estruturado que a gente não consegue largar. Raphael consegue fazer muito em poucas páginas e o resultado é um livro de contos para ser lido, relido, dividido com amigos e uma ótima opção para clubes e rodas de leitura. Os sete contos presentes na obra se referem a sete nomes de demônios, que de forma arguta nos leva a assistir a derrocada de um vilarejo e seus habitantes em história de terror e suspense da melhor qualidade.



Além da escrita que é muito fluida, um outro êxito do livro é a sua temática. Em "O vilarejo" você não encontrará um terror barato, pois o que Raphael Montes construiu ali, foi uma aventura muito bem pensada e cheia de links que vão nos surpreendendo a cada conto. São links com histórias clássicas, mas também com uma nova forma de experimentar uma narrativa e de utilizar do próprio livro e sua estrutura como elementos importantes para contar as histórias. "O vilarejo" já começa a tomar forma no prefácio, onde o próprio escritor se torna uma personagem e acontece um arremate dos contos no posfácio. Dos poucos livros que li por e-book, esse é um que funciona muito bem nessa outra ferramenta, justamente por sua estrutura. 

Como dito antes, cada conto faz relação com um demônio e cada demônio representa um pecado capital, sendo assim, cada história irá se debruçar sobre as consequências dos próprios atos das personagens. Sempre que pensamos em demônios nas diversas histórias, já mentalizamos uma figura monstruosa, de grandes chifres, soltando fogo e ódio pelas ventas. A escolha criativa desse livro foi mostrar que cada demônio mora em cada tomada de decisão que muitas vezes sabemos erradas mas que são encorajadas por outros interesses ou necessidades humanas.

O Instituto de Stephen King

O Instituto de Stephen King (Editora Suma, 2019) é um dos mais recentes livros lançados pelo autor. Na obra King mostra que ainda possui fôlego de sobra para criar histórias com todos aqueles elementos que esperamos de suas publicações. Quem já é leitor de King perceberá também algumas referências bem divertidas a outros títulos do autor que aparecem de forma bem fluida e como um mimo a seus mais fiéis leitores. O Instituto é um thriller impactante. Possui doses de mistério e violência, na mesma medida em que sentimentos como cuidado e amizade serão importantes para o desdobramento da trama.


Imagine que você tenha na faixa dos doze anos de idade, more com seus pais numa casa confortável, que esteja levando sua vida como manda o roteiro. De repente, em uma noite, sua casa é invadida, seus pais são mortos e você acorda em um quarto que imita o seu, com as mesmas mobílias e decorações, só que sem janelas e em uma localidade desconhecida. Essa é a premissa de O Instituto e a história do protagonista Luke Ellis.

No momento em que Luke é sequestrado, o mesmo estava se preparando para decidir em qual universidade estudaria. Apesar da pouca idade, Luke é um garoto prodígio com QI acima da média e havia sido aprovado em diversos exames. Seus pais estavam dispostos a mudar de cidade para apoiar o jovem nessa mudança tão radical e serem um porto seguro no meio da selva universitária que Luke enfrentaria. Para completar, o garoto possui algumas habilidades telecinéticas, ou seja, consegue mover objetos com a força da mente. Esse fato é de conhecimento de seus pais e um segredo guardado entre eles.  O poder de Luke sempre vem a tona em momentos de excitação, de ansiedade e fogem ao seu controle.

Ascensão de Stephen King

Ascensão de Stephen King (Editora Suma, 2019) é uma história gostosa de ler. É mais um exemplo da versatilidade do Stephen King com a escrita. O autor tanto consegue escrever grandes romances de quase mil páginas, como histórias mais curtas, como é o exemplo de Ascensão. Podemos arriscar dizer que Ascensão é como um conto e daria um ótimo episódio de The Twilight Zone. O projeto gráfico é muito charmoso e o início de cada capítulo conta com uma vinheta do ilustrador Mark Edward Geyer.


A história se passa, como é característico no universo do King, em uma pequena cidade chamada Castle Rock. Como toda cidade pequena temos a descrição do estilo de vida mais pautado no conservadorismo, na desconfiança de quem vem de fora, na Igreja como principal vínculo social e inclusive responsável por eventos, reuniões e comitês. Mas também temos a descrição da cidade com seu coreto principal, seu parque, a antiga lanchonete da Patsy e a tradicional Corrida do Peru que será um acontecimento muito importante para a trama.

É nesse cenário que vamos acompanhar a jornada das personagens. Scott Carey, nosso protagonista, é um homem de quase cinquenta anos, divorciado e que vive com seu gato numa mansão que fora escolhida por sua ex-esposa. Scott trabalha com criação de sites e portais para grandes empresas e corporações e quando a história começa ele está envolto em um grande projeto que mudará sua vida financeira para melhor. Ao mesmo tempo Scott está lidando com um grande mistério — algo que não se sabe se é científico, divino, mágico ou das enfermidades — Scott está perdendo peso de forma contínua e essa perda de peso só é perceptível através da balança, pois seu corpo não apresenta mudanças. Enquanto seu corpo continua com a aparência de um homem de mais de cem quilos, no início da história Scott relata uma perda de 30 quilos e baixando.

O Bazar dos Sonhos Ruins do Stephen King

O Bazar dos Sonhos Ruins do Stephen King (Editora Suma, 2017) é uma coletânea de contos de terror e suspense. A cada história podemos encontrar todos aqueles elementos que tornaram o King tão popular. Ele consegue tirar narrativas envolventes e mirabolantes de situações diversas e é uma boa pedida pra quem gosta desse gênero.

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Algo especial desse livro é que antes de cada conto o autor inseriu um breve texto explicando de onde surgiu a inspiração para a escrita. Assim, é muito interessante perceber várias formas de criação de um escritor, onde muitas vezes o fato ou acontecimento que foram gatilho para uma história são transformados em algo que parece muito distante de seu ponto de partida. King pega aquele ponto inicial e o molda de forma a construir uma nova realidade cheia de reviravoltas, sustos, surpresas, humor sarcástico, críticas veladas à sociedade e a estupidez humana.

Eu sou um fã de Stephen King. Sempre me divirto muito com suas histórias e seu modo de escrever passa a sensação de que ele também se diverte escrevendo. Além dos contos, em O Bazar dos Sonhos Ruins somos apresentados a dois poemas bem narrativos. No texto de apresentação o King nos diz que escreve poesia desde os doze anos e que tem centenas de poemas escritos, mas que só publicou seis deles em toda sua trajetória, e diz que tem um motivo pra isso: "não sou um bom poeta" e confesso que concordo com ele. Por mim ele pode ficar em seus romances e contos divertidos que ganhamos mais.