Olhos D'água da Conceição Evaristo (Editora Pallas, 2016) é um livro composto por vários contos que nos aproximam de realidades distintas. A maioria dessas histórias são do ponto de vista feminino com a apresentação de mulheres fortes que sofrem as consequências ou enfrentam situações de racismo, homofobia, pobreza, violência policial, sexismo, morte, estupro, drogas, mas que também exalta a força da ancestralidade, do amor, do afeto e da representatividade com um texto cheio de sensibilidade e poesia.
Como é uma obra que trabalha com as questões de classe e gênero, deparamos com passagens que exploram a violência sem rodeios em uma narrativa onde nada é gratuito. Conceição Evaristo consegue ser realista usando da palavra como arte. Em seu texto a palavra fere e encanta em igual medida. É uma escritora que domina as nuances para se contar uma boa história.
Em "Olhos D'água" Conceição faz algo genial, que é falar de exclusão para incluir. É uma obra que humaniza os excluídos e dá voz aqueles que muitos fingem não existir em nossa sociedade ou que sua existência seja lembrada apenas para a servidão. E para dar voz a esses grupos e pessoas, Conceição se aproxima o máximo que pode de suas vivências para mostrar tanto a injustiça, quanto a banalidade da vida de ser e estar em um lugar ou condição. Não é atoa que a questão do olhar é tratada em diversas partes do livro como um convite a ver o que está posto e a partir da visualização iniciar um processo de conscientização/ação perante os diversos tipos de violências que assolam as relações e a sociedade.
Como é uma obra que trabalha com as questões de classe e gênero, deparamos com passagens que exploram a violência sem rodeios em uma narrativa onde nada é gratuito. Conceição Evaristo consegue ser realista usando da palavra como arte. Em seu texto a palavra fere e encanta em igual medida. É uma escritora que domina as nuances para se contar uma boa história.
Em "Olhos D'água" Conceição faz algo genial, que é falar de exclusão para incluir. É uma obra que humaniza os excluídos e dá voz aqueles que muitos fingem não existir em nossa sociedade ou que sua existência seja lembrada apenas para a servidão. E para dar voz a esses grupos e pessoas, Conceição se aproxima o máximo que pode de suas vivências para mostrar tanto a injustiça, quanto a banalidade da vida de ser e estar em um lugar ou condição. Não é atoa que a questão do olhar é tratada em diversas partes do livro como um convite a ver o que está posto e a partir da visualização iniciar um processo de conscientização/ação perante os diversos tipos de violências que assolam as relações e a sociedade.
