Dois corpos são encontrados em uma praia deserta e tudo leva a crer que estamos diante de um pacto suicida entre dois amantes. Acontece que o homem que jaz morto nessa praia, estava de alguma forma envolvido em um grande escândalo de corrupção política e a mulher era uma garçonete de temperamento mais recluso que até o momento em que são vistos embarcando em um trem, até o momento em que seus corpos são encontrados lado a lado, nunca haviam sido vistos juntos antes.
Mihara olhava as anotações, pensativo. Esses itens eram como quatro rochas empilhadas uma sobre a outra, praticamente inquebrantáveis. Porém, era necessário destruí-las. Sim, era preciso fazê-lo a qualquer custo.Mihara se vê desde o início convencido de que essa história esconde uma motivação maior do que um pacto de morte romântico e inicia uma verdadeira viagem pelo Japão utilizando de pistas e hipóteses aparentemente frágeis, mas que vão demonstrando sua incrível capacidade de observação e decifração da realidade e dos depoimentos que colhe.
Não importava por que ângulo se analisasse, não havia dúvida de que tinha sido um duplo suicídio amoroso. E residia aí a contradição. Por que pessoas que não mantinham um relacionamento amoroso cometeriam suicídio juntas?
“O expresso de Tóquio” é uma obra de leitura rápida, mas que ao mesmo tempo demanda muita atenção do leitor. O uso dos horários de trens e a circulação entre as estações contribuem para a originalidade do enredo e nos coloca mais interessados nas pistas e nos enigmas do que nas cenas de perseguição e violência que estamos acostumados a ler em histórias ocidentais do mesmo gênero. O mistério é resolvido principalmente por uso de dedução lógica e pela obsessão do investigador Mihara pelo caso. Apesar de ter sido publicado nos anos 50, a obra chama atenção pela sua narrativa moderna, onde muitas vezes temos a impressão de estar lendo algo mais próximo da nossa década.
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