A aranha de Lars Kepler (Editora Alfaguara, 2025), pseudônimo do casal sueco Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril, é um thriller que nos coloca novamente no encalço de um serial killer ao lado dos investigadores Joona Linna e Saga Bauer. Seguindo a fórmula de uma escrita ágil, capítulos curtos, enigmas inteligentes, a pressão psicológica e a violência características do thriller policial nórdico, somos engolidos por um enredo que é difícil de largar. Em “A aranha”, os autores revisitam acontecimentos de volumes anteriores da série protagonizada pelo detetive Joona Linna, onde Joona e Saga veem que fantasmas do passado podem influenciar no futuro.


Saga Bauer começa a receber encomendas com alguns enigmas que se decifrados, podem evitar que uma pessoa próxima a ela morra. Além das pistas, o embrulho apresenta uma pequena estatueta forjada em zinco, que reproduz a imagem da vítima. O assassino faz uma promessa de que nove pessoas irão morrer, caso Saga não consiga pará-lo e que a nona vítima será o próprio Joona Linna.

Eu tenho uma pistola Makarov vermelho-sangue. Há nove balas brancas no carregador. Uma delas está reservada para Joona Linna. A única pessoa que pode salvá-lo é você.
A forma como as vítimas são mortas, garante momentos de muita tensão durante a história. Além da destreza do serial killer na caça de suas vítimas, que age silenciosamente, como uma aranha, as condições em que as pessoas são assassinadas é de revirar o estômago de alguns leitores.

Como uma aranha, que prende sua presa numa teia e a dissolve com seu veneno, o assassino paralisa sua vítima com um tiro na coluna, o acondiciona em um saco plástico de borracha, de forma que se assemelhe a um casulo. Com a vítima ainda viva, despeja uma mistura química corrosiva, que de forma lenta e dolorosa transforma o que antes era uma pessoa em uma massa disforme de carne e sangue.

Os protagonistas, juntamente com a força policial de Estocolmo, se veem diante de uma verdadeira contagem regressiva, onde alguns segundos podem definir quem vive e quem morre. Assim como o modus operandi do assassino flerta com a ideia da aranha como predador, as teias também são apresentadas como uma metáfora para a trama que cada pista vai criando, forjando um mapa e que pode revelar o local de cada assassinato.

“A aranha” é o nono volume da série Joona Linna e apresenta um dos melhores vilões da saga, que além de se conectar com as histórias de volumes anteriores, também constrói um antagonista que é frio, calculista, violento e onde o próprio silêncio serve como elemento de tensão e horror.